
Era criança com oito ou nove anos.
Andava na escola e na escola líamos naqueles livros que tinham textos pequenos, alguns moralistas, mas que encerravam um conteúdo sedutor e que me marcaram ao ponto de,muitos anos mais tarde, ir à procura dos seus autores, explorando com gosto a sua obra.
De entre eles um impressionou-me muito pela sua profundidade, originando que hoje aqui o reproduza em parte.
"Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe, e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, primeiro membro a membro, e depois feição a feição, até a mais miúda : ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos; aqui desprega, ali corrige, ali arruga, acolá recama, e fica um homem perfeito e talvez um santo que se pode pôr no altar."
( Padre António Vieira )
Homenagem aos escultores incógnitos que existem no nosso país.
( Imagens captadas na Guarda e Freixedas - Pinhel )